Para você entender o tanto que isso NÃO é um guia de turismo, estou escrevendo esse post sentada no lobby do meu hotel, de costas para a janela em pleno domingo a tarde… em Paris. Eu nunca fui uma turista tradicional e nunca quis. Dito isso, essa viagem está sendo perfeita.
Até as coisas que deram errado acabaram sendo boas por outros motivos então dizer que estou escrevendo esse post sentada no lobby do meu hotel, de costas para a janela em pleno domingo a tarde apaixonada por Paris é importante.
Ao longo da vida, já cruzei com os oito e com os oitenta sobre essa cidade. Tanto gente que diz que odeia o lugar e as pessoas quanto gente que ama tudo e queria ser daqui. Eu sempre quis visitar e sempre soube que viria de coração aberto.
Uma das coisas mais comuns de ouvir sobre Paris, especificamente, é que as pessoas aqui são mal educadas. Não só não está sendo minha experiência como vou sair daqui defendendo os parisienses sempre que falarem isso perto de mim daqui pra frente. Me ajudaram em todas as ocasiões que precisei, me ofereceram ajuda em ocasiões em que não pedi e me receberam bem em todas as lojas e restaurantes. Sempre falam bom dia, agradecem, se despedem desejando bom dia de novo.
Tipo literalmente agora: tô num canto do lugar onde servem o petit dejeuner, concentrada digitando furiosamente, de fone de ouvido e sem prestar muita atenção em nada que tá rolando. Quando eu cheguei, a sala já estava fechada pra terminarem de arrumar as coisas do café e finalizarem o serviço. Pedi e me deixaram ficar aqui. Em algum momento desde que comecei a escrever, veio um rapaz com o aspirador de pó. Eu já estava de perna cruzada pra cima então ele só me sinalizou que tudo bem ficar e seguimos trabalhando mutualmente sem nos interrompermos. Corta pra sei lá quantas horas no futuro até chegarmos em 5 minutos atrás. O rapaz do aspirador com tudo finalizado foi pegar café na mesa central que alguém arrumou e eu nem vi (eles sempre deixam cafezinho e algum bolo ou doce de cortesia para as pessoas nos hotéis que visitei aqui). Saí da minha bolha por alguns instantes para reparar que o ambiente todo já tinha mudado desde que cheguei e olhei pro homem que começou a falar comigo em francês, claramente oferencendo algo que eu não entendi. Tirei o fone e perguntei em inglês se eu poderia pegar um chocolate quente na outra máquina – ele respondeu em francês que não fala inglês (isso eu entendi!) já chamando uma outra pessoa da recepção que fala inglês. Eu respondi em francês que não falo francês, o outro rapaz da recepção ouviu e já chegou falando que eu falo um pouquinho de francês sim e rimos todos e tinha doce ali pra eu pegar e SABE?!
Você pode até pensar que isso rolou assim porque estou num hotel e as pessoas estão recebendo para serem simpáticas, sei lá. Mas aconteceu na vida também. Tipo na estação de metrô um desses dias. Um senhorzinho viu que estávamos confusos sem ter onde recarregar o cartão pra entrar no metrô e simplesmente passou com a gente em fila usando o cartão dele pra entrarmos. Depois falou em poucas palavras de inglês que se quiséssemos pagar, as máquinas estavam ali daquele lado, e se não, já estávamos dentro de graça.
Acontece na rua quando mexo com os cachorrinhos parisienses. Acontece nos restaurantes. Aconteceu na pracinha dos pintores em Montmatre.
São iguais aos brasileiros? Não. Óbvio que não. Cultura diferente, continente diferente, idioma diferente. Mas já pensava isso antes e agora penso isso com ainda mais força: nossa experiência nos lugares diz muito mais sobre a gente do que sobre as pessoas. Se for vir pra cá, aprenda o mínimo de francês e seja gentil. Vai ser legal.
Só pra terminar essa parte relatando minhas interações em Paris e ser justa nos causos, preciso dizer que sim, tomei um grito no metrô. Mas foi de um americano, hahaha
E agora vamos para algumas recomendações que eu preciso fazer nem que seja só pra eu lembrar das minhas coisas e lugares favoritos depois. Começando por restaurantes e cafés:
Bouillon Chartier 59, boulevard du Montparnasse – 75006 Paris
“Bouillons” são restaurante bem típicos aqui de Paris, apesar de não muito óbvios. São restaurantes grandões (porém apertados daquele jeito que só quem visita Paris sabe) que ficam com fila para fora, abertos até um pouco mais tarde e que servem comidas mais populares da culinária francesa, tipo escargot, carne com batata frita e uns outros tipos de carne que não tive muita coragem de pesquisar. Ah, e o preço é mais baixo em comparação aos cafés de todas as esquinas por aqui. Meu favorito foi o Chartier porque achei o ambiente mais gostoso que o ~cool République, o serviço é mais rápido e a comida mais gostosa também. Pedi o macarrão à bolonhesa (€9) e quando voltei num outro dia, pedi ele de novo.


Romeo 6 Place Victor Hugo – 75116 Paris
Entrei nesse restaurante despretensiosamente num domingo antes de ir visitar a feira de rua que tem ali perto. Aos meus olhos de turista, não havia nada tão diferente nele em comparação à todos os outros do mesmo estilo. Mas o menu tinha coisas mais interessantes que os dos vizinhos e as cadeiras e mesinhas clássicas de Paris estavam deveras convidativas. Pois foi um dos restaurantes mais chiques que fomos até agora. Pedi um filé de salmão com salada de rúcula (€29) e acho que foi um dos melhores peixes que já comi na vida – tanto de textura quanto de cozimento*. Teria comido mais uns três filés? Teria. Não que venha pouco como é o padrão de restaurante chique (as pizzas individuais lá são enormes também) mas é que tava tão bom.


Restaurant du Musée d’Orsay 1 Rue de la Légion d’Honneur, 75007 Paris
Falando em rolê mais chique, esse também foi uma surpresa e, sem dúvida, uma das melhores refeições da viagem inteira até agora. Além do ambiente ser lindo, a comida estava simplesmente perfeita. Pedi um “espeto” de carne com molho de mostarda e legumes de acompanhamento (€28). O ponto da carne, o tempero, o corte. Teria comido mais uns três “espetos”? Teria. Tudo perfeito.


Le Pont de Tokyo 44 Rue des Acacias – 75017 Paris
Esse é o restaurante que menos fará sentido na lista por motivos de comida japonesa na França mas preciso fazer essa menção de honra. Foi o primeiro restaurante em que almoçamos ao chegar de viagem. Por mais improvável que possa parecer, foi a primeira vez em que me senti num ambiente francês de verdade, com todas as pessoas em volta conversando casualmente em francês e comendo e existindo. Andando sem rumo pela região em que estamos hospedados e depois de passar por pelo menos umas 10 outras opções de restaurantes, reparei nesse que estava cheio e tinha uns sushis irresistíveis no cardápio da porta. Realmente, a comida é muito gostosa (voltei lá mais duas vezes depois e tô bem querendo ir pelo menos uma última) e barata considerando a qualidade. Recomendo ir no almoço porque eles têm um combo excelente de dois tipos de sushi e duas entradinhas por menos de €15.


Pierre Hermés Paris 37 Av. des Ternes – 75017 Paris
Vou finalizar a lista, por hora, com um lugar completamente óbvio mas que fez por merecer seu lugar aqui neste prestigioso post. Vale dizer que eu nunca tinha nem experimentado um macaron e foi exatamente isso que eu falei para o vendedor, que fez as recomendações dele de acordo. Eu amei todos. Foram dois Infiniment Vanillle de Madagascar (que ele disse que era o sabor mais tradicional e portanto o melhor para começar – tinha razão), um Ispahan que era sabor de lichia, morango e rosas e um Mogador, de chocolate ao leite e maracujá. Essa loja apareceu em tudo qualquer canto até eu finalmente sucumbir. Valeu a pena e ainda fiquei com a caixinha de metal super fofa com uma ilustração da Torre Eiffel em que os macarons vieram.


Agora chega desse post porque são oito da noite na França, tá sol (!) e a gente vai jantar e fazer coisas parisienses. Depois eu escrevo mais um falando dos lugares e outras impressões – tem algo que você não gostaria de faltasse num próximo post? Me escreve nos comentários, eu vou adorar ler!
*depois que eu escrevi isso fiquei com vontade de fazer um adendo sobre absolutamente todas as comidas de restaurante: falta sal. Fora isso, pode confiar em todos os outros detalhes.

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