Até parei para tirar uma foto da tela só com esse título e a página em branco, antes de começar a escrever qualquer outra coisa. Tudo que eu estou prestes a contar aqui ainda é inacreditável para mim.
A Sala São Paulo sempre me deixou deslumbrada e eu não sou uma pessoa que fica deslumbrada com facilidade. Sabe quando você entra num lugar e tem a sensação de que ele fala com você? Lá é um desses lugares para mim. A arquitetura icônica, os detalhes do piso, o som dos instrumentos no momento da afinação, a luz do dia entrando pelos arcos, a luz de noite iluminando os pilares. Basta entrar lá e olhar pra cima para sentir algo diferente e bom.





Quando eu e o noivo falamos pela primeira vez sobre casarmos, ele me perguntou onde eu sonharia em fazer nossa cerimônia. No mesmo instante pensei na Sala São Paulo, tipo quase que automaticamente. Não pensei numa ideia realista, nem em algo que fizesse sentido, só pensei em onde seria meu sonho. Me transportei para lá e senti todas as coisas que escrevi ali no parágrafo anterior – claro que tudo isso sem falar uma palavra respondendo a pergunta dele, que percebeu que eu tinha algo em mente e perguntou de novo. Então eu falei.
E é lá que vamos nos casar.
É surreal mesmo. Se você já foi lá, entende. Se não foi, quando for vai entender.
O projeto do prédio da Estação Júlio Prestes, onde hoje também fica a Sala São Paulo, foi feito em 1925 e sempre teve um papel chave no transporte ferroviário do café por São Paulo (a gente ama café). Foi construído para ser um grande edifício onde a Sorocabana, principal empresa férrea daquela época, pudesse concentrar todas as suas atividades. Uma estação para a “metrópole do café”, um símbolo de riqueza e poder. Inclusive quando você chega de carro pela Avenida Duque de Caxias hoje, consegue ver que na lateral do prédio ainda está escrito “Estrada de Ferro Sorocabana”. A Sala São Paulo foi tombada como patrimônio histórico em 1999 e A GENTE VAI CASAR LÁ!!!
Meu tio foi a primeira pessoa que me levou na Sala São Paulo (oi, tio!). Músico da Brasil Jazz Sinfônica há mais de duas décadas (talvez três), ele simplesmente me colocou para assistir o concerto naquele camarote que a realeza fica nos filmes, sabe? Desde então, toda vez que tenho a oportunidade de ir, eu vou, nem que seja para ficar sentada no chão (nunca aconteceu e provavelmente nunca acontecerá mas quero ilustrar o tanto que eu gosto de lá caso ainda não tenha ficado explicitado o suficiente, risos – aliás o piso de lá foi literalmente para a identidade visual do nosso casamento em uns detalhezinhos que só quem sabe sabe). Imagina a felicidade que senti quando uma das minhas melhores amigas foi tocar como spalla da Osesp (que é a orquestra moradora oficial da Sala São Paulo) e me chamou pra ficar com ela lá na sala dos músicos, num belo dia aleatório. Sei lá, às vezes penso que essas coisas só acontecem comigo.
Acho que uma das coisas mais legais sobre a minha história com a Sala São Paulo é que eu fui descobrindo os detalhes sobre o lugar aos poucos. Apesar de ser literalmente um patrimônio histórico da minha cidade, eu nunca havia feito uma daquelas visitas guiadas que eles oferecem lá. Na verdade, o que sempre me chamou atenção, desde a primeira vez entrando por aqueles arcos, foi o jeito com que estar lá me faz sentir. Sem contexto. Sem pesquisa. Foi só quando ficou real a possibilidade de casar na Sala São Paulo que resolvi entender melhor o significado histórico de lá e assimilar o fato de que, além de lindo, foi uma construção realmente muito importante e emblemática para São Paulo nos tempos em que a cidade vivia um auge com tecnologia de verdade chegando aqui e o café sendo parte tão central da economia.
Em pensar que até meu gosto pelo café só se desenvolveu mais tarde na vida, depois que aprendi a tomá-lo forte e sem açúcar… Tem uma metáfora sobre amor aqui mas vou poupá-los (ou será que não deveria?). De qualquer forma, vale deixar registrado que o cheiro é delicioso para mim desde pequena e uma memória especial e eterna da casa dos meus avós. Mais um detalhe que me faz sentir que a história da Sala São Paulo conecta com a minha de um jeito especial.
O noivo, que apesar de não ser natural de São Paulo, morou muitos anos na cidade, nunca tinha ido lá. Fiz questão de levá-lo na primeira oportunidade que apareceu, e depois de novo. Logo ele, fã de shows, festivais e música ao vivo, nunca tinha assistido a um concerto. É até engraçado, mesmo agora que temos ido lá na Sala São Paulo para visitas técnicas com nossos fornecedores sem glamour nenhum, ele sempre acaba comentando comigo em algum momento: “mas é bonito mesmo aqui, né?” SIMMMMM









Voltando ao casamento em si, conforme as referências e inspirações foram tomando forma, meu sonho para esse dia, nesse lugar, também foi fazendo cada vez mais sentido. É como se estivéssemos criando, para o dia todo do nosso casamento, o nosso dia perfeito. Como se estivéssemos, depois de arrumados e impecáveis, recebendo nossas pessoas favoritas na nossa própria casa – a Sala São Paulo (!), com tudo que mais gostamos e tudo que é mais importante para nós, desde a escolha das músicas até os ingredientes dos pratos que vamos servir no jantar.
Aliás, a música da minha entrada de noiva foi parte de um arranjo da Jazz Sinfônica que ouvi pela primeira num dos concertos domingo de manhã lá. Ainda não vou contar aqui qual é, mas posso dizer que a emoção que eu senti logo nas primeiras notas fez meus olhos encherem de lágrima sem eu nem entender o que estava acontecendo. Depois eu conto melhor essa história.
A dois meses do casamento, ainda faltam muitos detalhes e escolhas que continuaremos fazendo juntos até o ~grande dia. Uma coisa é certa: a Sala São Paulo terá para sempre um significado a mais para a gente e se você está lendo esse texto, você também é parte disso ✨🤍

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