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Semana 30

É, mudou tudo de novo.

Não sei se é por conta do famoso “baby brain” ou se estamos falando de uma matemática meio duvidosa mesmo mas perdi um pouco a noção da relação entre as semanas da gravidez e os trimestres correspondentes lá pela semana 28. Já não sabia mais se estava no fim do segundo trimestre ou no começo do terceiro e isso me parecia importante porque o terceiro é o último e aí ficam liberados os surtos. Não que antes não estivessem mas tava tudo parecendo tão longe lá pelo meio da gravidez que quando me vi andando pelos corredores da maternidade semana passada (a gente foi lá pra conhecer tudo), percebi que agora estou na reta final mesmo e essa nenê vai ter que sair de dentro de mim.

Pensei em fazer um post separado resumindo minhas impressões finais sobre o segundo trimestre mas agora que estamos aqui, vou fazer o resumo aqui mesmo: não concordo com o que dizem por aí. Desde o começo do bombardeio do meu algoritmo sobre gravidez e maternidade nas redes sociais, ouço as mães dizendo que o primeiro trimestre é difícil, no segundo você fica plena como nunca antes na vida e sobre o terceiro cada uma fala uma coisa. De certa forma, acho que a minha versão tá sendo melhor: o primeiro trimestre foi de boa com pequenos desconfortos, o segundo também e agora no terceiro tá finalmente caindo minha ficha (com um pouco mais de desconfortos). O ponto principal pensando no segundo trimestre especificamente é que não senti nada extra bom nessa fase. É verdade que o sono e a dor nos peitos que eu sentia no primeiro trimestre diminuíram significativamente, mas também fiquei muito mais ansiosa pelos exames, fiz muito mais xixi e continuei no mesmo nível de cansaço no geral. Sei lá, acho que os relatos de outras pessoas me fizeram criar a expectativa de que eu teria muito mais energia e disposição ao longo do segundo trimestre e como isso não aconteceu, parece que perdi tempo de alguma forma.

Na prática, eu sinto que tô numa progressão bem suave de todas as coisas desde o começo, tanto das coisas boas quanto das ruins. Sinto uma gratidão imensa por isso também, inclusive. Já vou aproveitar para me lembrar aqui mais uma vez de que o que o povo fala na internet é muito relativo. Ugh, é tão óbvio isso.

Enfim, uma das minhas maiores satisfações ao longo dessa gravidez está sendo sentir que literalmente tudo que está acontecendo é uma preparação para a vida que eu vou ter daqui para frente. Até o lembrete merda em negrito aí de cima me dá esse sentimento porque mesmo sendo óbvio que tudo na internet é relativo (e até aqui, sete meses depois, eu ter tido uma experiência MELHOR do que a que narram), fiquei esperando algo diferente por algumas semanas única e exclusivamente por causa do que falam. Então é bom sentir e lembrar disso agora porque sei que no pós parto também é assim, nos primeiros meses de vida da criança também, na educação também… Tô tentando achar as palavras pra explicar o motivo de eu achar isso uma grande idiotice do nosso tempo e não tô conseguindo. Ao mesmo tempo que parece um efeito colateral inevitável, é também uma escolha totalmente evitável, basta perceber o que está acontecendo e retomar as rédeas da sua própria cabeça e da sua própria realidade. Não deveria ser tão difícil e não é.

Estar grávida é uma oportunidade de parar um pouco de olhar pra fora e isso virou algo tão raro no nosso dia a dia que vejo como mesmo grávida a gente ainda precisa escolher sentir as coisas em vez de se distrair. Acho um privilégio divino ter a consciência de que esses nove meses são de propósito e, mesmo esquecendo às vezes, depois eu lembro de novo e fico querendo prestar ainda mais atenção.

Semana passada, por exemplo, comecei efetivamente a sentir umas dores e desconfortos mais pontuais por conta da barriga estar mais pesada. Nada muito forte ou preocupante, mas comecei a sentir e faz sentido. Também comecei a ter algumas noites de insônia – mesmo cansada e com sono, tem algumas noites em que simplesmente não consigo dormir e faz sentido. Acho muito mágico que essas coisas tenham começado a acontecer agora: as dores em preparação gradual para tudo que vou sentir daqui até o parto, a insônia de vez em quando em preparação gradual para as noites que vou precisar passar em claro cuidando de um bebêzinho que vai depender 100% de mim. Tudo faz sentido e é muito satisfatório perceber que estou sendo preparada aos poucos. Sempre foi uma das coisas que mais me fez sentir confiante diante de missões e tarefas novas na vida: me preparar. Deus é perfeito.

Tudo isso me faz ter uns sentimentos contraditórios sobre o parto. Ao mesmo tempo em que faz parte da minha natureza pesquisar, fazer mil perguntas nas consultas, buscar informações sobre tudo que pode rolar e sobre o que eu preciso/posso escolher sobre o parto, também tô começando a achar que eu já sei o que preciso saber e saber mais e mais e mais talvez não me ajude tanto. Talvez não valha a pena como investimento de energia considerando que meu corpo sabe exatamente o que está acontecendo e o que precisa acontecer, eu só vou precisar mesmo deixar minha cabeça acompanhar.

Outros sintomas físicos que estão diferentes agora no começo do terceiro trimestre (além da barriga que tô achando gigante já): se fico muito tempo em pé cozinhando, por exemplo, sinto o peso na lombar. Se passo muito tempo sentada trabalhando, as costas pedem um alongamento. Me sinto fraca muitas vezes e acho que é por conta de falta de massa muscular mas só acho, não cheguei a medir isso. Sair de casa por períodos mais longos dá um pouco de gastura porque eu preciso fazer xixi e se não tiver garantia de banheiro, como faço pra seguir existindo??? Os movimentos da nenê são bem mais perceptíveis (apesar de ainda não estarmos na fase 100% alienígena) e parecem maiores tipo sinto um chute perto da minha costela e logo em seguida um movimentinho menor bem na base da barriga. Dependendo das posições dela às vezes dá a sensação de que a qualquer momento vai sair um pé diretamente do meu umbigo e aí eu lembro que existem sete camadas de tecido entre eu e ela mas não é o que parece não.

Comecei a fazer fisioterapia pélvica nesse meio tempo também e apesar de ser um investimento que muita gente diz ser essencial, ainda não sei bem o que penso sobre a experiência até aqui. Por um lado, é bom ir acostumando com os toques e técnicas para respirar e relaxar ao mesmo tempo, por outro, será que é bom mesmo? Semana passada fizemos uns exercícios pra ajudar a “abrir” um pouco o quadril e fiquei com uma dor no joelho (?). Tô culpando meu sendentarismo gravidístico mas não sei.

Obs.: esse post parou de ser escrito abruptamente e eu já não lembro mais o motivo ou seja, dá pra dizer que temos um final coerente para o texto uma vez que comecei desconfiando de baby brain né – agora que estou voltando aqui já se passaram mais QUATRO semanas então vou abrir um novo para registrar as novidades, see you there!

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