Passamos da metade e posso dizer que estou oficialmente barriguda.

Desde o último registro até agora foram quase dois meses mas a sensação é que mudou tudo muito rápido. Além da parte física (não dá mais pra confundir minha barriga com a de alguém que só comeu muito), estamos preparando uma mudança de CEP também (que deu certo literalmente no período de uma única tarde). Estar num apartamento maior, em São Paulo de verdade e a dez minutos da maternidade é uma situação inteira muito melhor do que eu já estava me preparando psicologicamente para viver.
A parte mais legal que quero reportar é que na semana 23 eu senti a nenê mexer pela primeira vez. Tenho algumas amigas grávidas junto comigo e todas contam que começaram a sentir chutes bem antes então naturalmente lá pela semana 20 me bateu uma ansiedade por não estar sentindo nada com tanta clareza. Perguntei até pra médica que, como sempre, me acalmou e disse que é normal começar a sentir movimentos com mais frequência só depois das 24 semanas. É muito louco isso da gente se comparar com os outros – um saco, inclusive. É inevitável e nem dá pra culpar a internet porque se não for gente na internet falando da própria experiência, é gente na vida. E eu que sempre tive pouca paciência pra gente sendo ~gente, agora estou com menos. Dizem que é normal também desse período mas sinto que é um caminho sem volta.
Voltando pra parte mais legal, preciso tentar explicar como está sendo sentir esses movimentos na barriga porque acho que eles vão mudar daqui pra frente e essa fase inicial é bem peculiar. A gente vê aquele vídeos de barrigas mexendo como se tivessem um alienígena lá dentro querendo sair, mas esse comecinho não é assim (apesar de que a noção geral de que existe um ser humano dentro de mim é de fato meio extraterrestre). Até o primeiro dia em que eu soube com certeza que era a nenê mexendo, às vezes eu sentia umas vibrações grandes e rápidas mas curtinhas em duração. Nunca eram seguidas no mesmo lugar então não conseguia ficar prestando atenção naquele lugar específico para ver se sentia de novo, ou seja, não dava pra saber exatamente. Mas aí numa determinada noite, dentro do carro voltando pra casa, eu senti um *BLOP* bem fundão no útero (bem mais pra dentro de onde eu teria imaginado que ela tava morando). Na hora foi como se eu tivesse sentido uma mini cambalhota onde antes eu só sentia as tenebrosas cólicas menstruais. Bem bizarro.
E aí mudou de novo. Agora, uma semana depois dessa primeira vez definitiva, dá pra sentir de um jeito mais “superficial” dependendo do momento. Tipo com a mão mesmo. Tenho sentido esses movimentos ao longo do dia todo mas ainda considero um movimento leve no geral (meu padrão são os ETs dos vídeos de barriga de grávida e não tá nem perto disso ainda). Dito isso, hoje, literalmente escrevendo esse post eu consegui ver a barriga dando um pulinho pela primeira vez. Foi um pulinho discreto e suave, nada nível intergaláctico – mas vi! Agora, sendo sincera aqui para a posteridade da minha própria memória: não é sempre uma sensação linda e mágica igual as grávidas falam com os olhos brilhando nos vídeos. Tem hora que é legal mesmo mas tem hora que o movimento é perto da bexiga, por exemplo, e dá uma certa agonia (além de mais vontade de fazer xixi, que é praticamente constante a essa altura). Tipo tem algo literalmente se mexendo no meio dos seus órgãos sabe, não tem como ser sempre de boa isso (rindo de nervoso).
Das coisas que estão fazendo parte do segundo trimestre e eu quero lembrar –
- frutas azedinhas e geladas continuam sendo um hit e, apesar de eu não estar sentindo uma fome absurda, quando começo a comer alguma coisa não dá vontade de parar então tenho tentado manter as quantidades de sempre só pra não perder a referência do meu “normal”.
- fisicamente, como “sintomas”: barriga cresceu significativamente, dor nos seios diminuiu bastante e tenho sentido mais dor de cabeça.
- ansiedade e preocupações seguem existindo, principalmente nos momentos de insônia em que vez ou outra eu penso que realmente vou ganhar um nenê e ela será minha responsabilidade para sempre.
- a parte do acompanhamento médico é um pouco overwhelming – são muitas variáveis e especialidades possíveis, muitos detalhes e ao mesmo tempo pouca coisa “programável” de fato. A enfermeira com quem eu estava fazendo consultas desde o começo simplesmente saiu da cobertura do convênio e cancelou uma consulta importante daquela semana então fica uma sensação meio estranha sobre com quem realmente daria pra contar.
- aumentamos a dose do remédio para hipotireoidismo, preciso tomar mais algumas vacinas e o próximo exame importantão é o de tolerância à glicose, preciso marcar ainda (o intervalo ideal desse é entre 24 a 28 semanas).
- funcionamento estranho do cérebro continua: hoje na hora do almoço eu tava com duas garrafas na mão, uma de azeite e outra de suco. Eu quase tomei o azeite.

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